Poder e legitimidade nas eleições de 2026: uma leitura a partir de Hannah Arendt

A reflexão de Hannah Arendt sobre o poder é especialmente relevante para o cenário das eleições de 2026. Ao afirmar que o poder corresponde à habilidade humana de agir em conjunto, a autora desloca a ideia de poder como imposição para uma construção coletiva baseada na participação ativa. No contexto eleitoral, isso significa que campanhas eficazes não se limitam à persuasão, mas investem na criação de vínculos reais com o eleitorado, fortalecendo sua legitimidade desde a base.

No direito eleitoral, essa perspectiva amplia a compreensão de legitimidade. Não basta cumprir formalmente as regras do processo eleitoral. É fundamental que a candidatura seja construída de forma ética, transparente e conectada com os eleitores. Campanhas que ignoram essa dimensão podem até ser juridicamente válidas, mas tendem a apresentar fragilidade política e maior exposição a questionamentos sociais e institucionais.

Pensando nas eleições de 2026, observa-se um eleitor mais informado, crítico e participativo. Nesse cenário, aplicar o pensamento de Arendt significa investir em estratégias que promovam engajamento genuíno. As redes sociais, por exemplo, deixam de ser apenas vitrines de campanha e passam a funcionar como espaços de escuta, diálogo e construção coletiva de narrativas, o que exige uma atuação integrada entre comunicação e jurídico para garantir conformidade com as normas eleitorais.

Além disso, a ideia de ação coletiva reforça a importância da construção de bases políticas sólidas. A articulação com lideranças, grupos sociais e diferentes segmentos da sociedade fortalece não apenas a campanha, mas também a sustentabilidade do futuro mandato. Essa construção demanda planejamento, coerência e presença contínua, elementos que impactam diretamente no desempenho eleitoral e na estabilidade política após as eleições.

Por fim, a teoria de Hannah Arendt oferece uma diretriz prática para campanhas mais seguras e eficazes. Ao priorizar o engajamento real em vez de estratégias artificiais, candidatos reduzem riscos jurídicos relacionados a práticas abusivas e fortalecem a confiança no processo eleitoral. Para 2026, mais do que conquistar votos, será essencial construir legitimidade. E isso passa, necessariamente, pela capacidade de agir em conjunto.

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